Foi revelado que centenas de milhões de dólares em pedágios e multas não estão sendo arrecadados devido à má gestão de cobrança por parte das autoridades de transporte do estado de Maryland.
De acordo com um relatório de auditoria divulgado no dia 2 pelo Gabinete de Auditorias Legislativas de Maryland, o valor total de pedágios e penalidades em atraso devidos à Autoridade de Transporte de Maryland (MDTA) chegou a US$ 818,1 milhões. Esse montante equivale a quase todo o orçamento operacional da agência para o ano fiscal de 2025 (aproximadamente US$ 885 milhões).
Do total em aberto, cerca de US$ 669 milhões estão pendentes há mais de um ano, e mais da metade desse valor — US$ 386,3 milhões — foi negligenciada por mais de três anos. A ineficácia dos mecanismos de cobrança coercitiva contra motoristas de fora do estado foi apontada como o principal motivo. Entre os motoristas de outros estados, os da Virgínia acumulam a maior dívida, somando US$ 234,7 milhões em atraso.
O Gabinete de Auditorias Legislativas afirmou que "a Autoridade de Transporte apenas enviou notificações de inadimplência e multas aos proprietários de veículos de fora do estado, sem adotar medidas práticas de execução, como a suspensão do registro de veículos por meio de acordos de reciprocidade com outros estados". Além disso, constatou-se que não houve encaminhamento de dívidas para agências privadas de cobrança nem transferência para a Unidade Central de Cobrança (CCU) do governo estadual.
O montante não pago por veículos registrados no estado de Maryland também ultrapassou US$ 907 milhões, elevando a dívida total a um patamar que equivale a um terço do custo de reconstrução da Ponte Francis Scott Key, prevista para os próximos anos.
Em resposta, Bruce Gartner, diretor executivo da MDTA, explicou que "esta situação decorreu da transição para um sistema de pedágio totalmente eletrônico (por vídeo) durante a pandemia de COVID-19, e várias soluções estão sendo preparadas, incluindo a formalização de acordos de fiscalização mútua com agências de outros estados e a contratação de empresas terceirizadas de cobrança". A agência pretende expandir gradualmente esses acordos com outros estados, começando pela Pensilvânia até o final deste ano, no mais tardar.
No entanto, as críticas à negligência administrativa têm aumentado, especialmente por parte da oposição no Legislativo estadual. Stephen Hershey, líder republicano no Senado, criticou duramente a situação: "É um erro estarrecedor que abandona o dever mais básico do governo. O governador Wes Moore deveria recolher adequadamente o dinheiro pendente antes de discutir o aumento de pedágios com a população".
